Diretrizes KDIGO 2024: como o diagnóstico precoce transforma o cuidado da Doença Renal Crônica

Diretrizes KDIGO 2024: diagnóstico precoce na Doença Renal Crônica

As diretrizes KDIGO 2024 consolidam um novo marco para o diagnóstico precoce da Doença Renal Crônica (DRC), estabelecendo parâmetros atualizados que seguem orientando a prática clínica nefrológica atual.  

A nefrologia caminha para uma era de medicina de precisão, e as novas diretrizes KDIGO 2024 são o maior testemunho dessa evolução. Publicadas doze anos após a última grande revisão, essas recomendações não apenas atualizam parâmetros, mas propõem uma mudança de paradigma: sair de um modelo reativo para uma abordagem integrada, preditiva e centrada no risco individual 

Para o profissional que atua na linha de frente — seja na atenção primária ou na especializada — compreender esses pilares é vital para enfrentar um cenário onde a DRC representa uma das principais causas de morte no mundo. 

Neste artigo, iremos abordar qual a importância dos mais recentes estudos e pesquisas para o diagnóstico precoce da doença renal crônica, e como a atualização das diretrizes da KDIGO 2024 pode contribuir para isso.  

Atualização das diretrizes da KDIGO 2024: impacto atual no diagnóstico e manejo da DRC 

A atualização das diretrizes KDIGO 2024 é amplamente reconhecida na literatura científica como um avanço significativo no cuidado das pessoas com doenças renais, ao propor uma abordagem mais integrada, preditiva e centrada no risco individual do paciente. 

Quando o mundo atinge a marca de 788 milhões de pessoas com função renal reduzida — segundo o estudo de 2023 pela NYU Langone Health, da Universidade de Glasgow e do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington — as normas da KDIGO 2024 podem significar novas perspectivas para o portador de DRC. 

Além disso, estimativas globais indicam que aproximadamente 14% da população adulta é afetada pela Doença Renal Crônica, com impacto expressivo na mortalidade e na sustentabilidade dos sistemas de saúde

Esses estudos também demonstram que a DRC figura entre as principais causas de morte ao nível mundial, reforçando seu papel como uma das doenças crônicas de maior carga global.  

Diante desse cenário, as diretrizes KDIGO 2024 incorporam avanços científicos relevantes, incluindo novas abordagens farmacológicas, refinamento dos critérios de diagnósticos e uma estratégia de cuidado mais personalizada e holística.

Essa evolução é vista com otimismo na nefrologia contemporânea, especialmente pela possibilidade de identificar a DRC em fases mais precoces e modificar sua trajetória clínica. 

No Brasil, por exemplo, dados do Boletim Epidemiológico indicam que centenas de milhares de pessoas acompanhadas na Atenção Primária à Saúde (APS) apresentam sinais compatíveis com Doença Renal Crônica. Reforçando a importância da aplicação consistente das diretrizes atuais para identificação precoce e manejo adequado da doença. 

 

Diretrizes KDIGO 2024 como o diagnóstico precoce transforma o cuidado da Doença Renal Crônica

Os pilares fundamentais da Diretriz KDIGO 2024 para o diagnóstico precoce 

Para compreender a magnitude das mudanças deste ano, é fundamental olhar para a sua origem. As diretrizes atualizadas para a Doença Renal Crônica foram desenvolvidas pela KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes), uma iniciativa internacional de excelência dedicada à elaboração e implementação de recomendações clínicas baseadas em evidências científicas consolidadas e na prática clínica contemporânea. 

O foco central da organização é impulsionar estudos e pesquisas de alto nível para modernizar o diagnóstico e otimizar o manejo terapêutico das patologias renais em escala global. Nesse sentido, a KDIGO 2024 não apenas reafirma conceitos, mas redefine a jornada de cuidado. 

Embora a base da classificação da DRC permaneça ancorada no sistema CGA (Causa, categoria de TFG G1-G5 e categoria de Albuminúria A1-A3) e na persistência de anormalidades estruturais ou funcionais por mais de três meses. A nova diretriz introduz avanços fundamentais que sustentam a nefrologia moderna: 

1. Diretriz KDIGO 2024: diagnóstico e avaliação de precisão

  1. 1.1. Refinamento de biomarcadores: Cistatina C + Creatinina 

A maior mudança nos critérios da Kdigo 2024 é a recomendação do uso combinado da Cistatina C e da Creatinina para a avaliação da estimativa taxa de filtração glomerular (TFGe), ampliando a precisão diagnóstica da função renal.

  • A incorporação da Cistatina C oferece uma precisão superior nos resultados. 
  • Este método é especialmente indicado para grupos onde a creatinina isolada pode ser pouco confiável, como no caso de pacientes idosos. 
  • Apesar da inovação, a creatinina sérica e a albuminúria continuam sendo os marcadores rotineiros principais, especialmente onde a cistatina C não está disponível. 

 

  1. 1.2. Diagnóstico de precisão e testes genéticos 

A diretriz reconhece que a genética desempenha um papel muito maior do que se supunha anteriormente, com estudos indicando que mais de 10% dos pacientes com DRC possuem uma causa genética primária. 

  • A testagem genética deve ser considerada em casos de início precoce da doença ou histórico familiar positivo. 
  • Auxilia em diagnósticos de etiologia indefinida após investigação clínica convencional. 
  • A recomendação é que o uso seja criterioso e sempre integrado à avaliação clínica e laboratorial. 

 

  1. 1.3. Padronização laboratorial: TFGe nos laudos de rotina 

Uma medida prática de alto impacto é a inclusão automática da Taxa de Filtração Glomerular estimada (TFGe) em todos os laudos que apresentem o exame de creatinina. 

  • Esta prática facilita a interpretação imediata da função renal, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). 
  • Ajuda a reduzir significativamente o subdiagnóstico, permitindo encaminhamentos oportunos. 
  • No Brasil, entidades de medicina laboratorial apoiam essa padronização para aumentar a segurança diagnóstica. 

 

2. Diretriz KDIGO 2024: novos pilares do tratamento (nefroproteção ativa)

A diretriz enfatiza que o manejo deve ir além do controle da pressão arterial: 

  • Inibidores da SGLT2 (iSGLT2): fortemente recomendados para pacientes com DRC e albuminúria, com ou sem diabete. 
  • Finerenona (ARM não esteroide): indicada para pacientes com Diabete Tipo 2 e DRC que já utilizam terapia otimizada com bloqueadores do sistema renina-angiotensina (RAASi). 
  • Bloqueio do RAASi: IECA ou BRA permanecem como terapia de primeira linha para controle da pressão e redução da albuminúria. 

 

3. Diretriz KDIGO 2024: manejo de complicações e cuidados multidisciplinares

  • Nephroprotection & “Sick Days ”: Importância de educar o paciente sobre o manejo de medicamentos em dias de infecção ou desidratação para prevenir a Injúria Renal Aguda (IRA). 
  • Distúrbio Mineral e Ósseo (CKD-MBD): foco no manejo personalizado, com controle dos níveis de fósforo sérico próximo ao normal e avaliação do risco de fraturas e calcificações vasculares. 
  • Acidose e Hiperuricemia: destaque para manter o bicarbonato sérico na faixa normal e tratar o ácido úrico para prevenir crises de gota. 

 

4. Diretriz KDIGO 2024: foco em doenças específicas e tecnologia

  • ADPKD: pela primeira vez, a diretriz inclui recomendações específicas para o manejo da Doença Renal Policística Autossômica Dominante. 
  • Inteligência Artificial: a IA surge como ferramenta complementar para rastreamento de risco e análise de imagens histopatológicas. 

 

Essas ferramentas conseguem identificar padrões sutis que podem indicar alterações estruturais iniciais, muitas vezes difíceis de serem detectadas apenas pela avaliação visual convencional. 

A implementação em larga escala dessas tecnologias ainda depende de fatores como validação contínua, infraestrutura adequada e capacitação profissional. 

No artigo “ Inteligência artificial no tratamento renal: veja as inovações que estão revolucionando a medicina” , você encontra mais informações sobre o uso da IA na nefrologia. 

 

Diagnóstico precoce da DRC: avanços recentes e aplicações no contexto brasileiro 

Dados recentes do Censo Brasileiro de Diálise indicam que mais de 170 mil pessoas estão atualmente em tratamento por meio de terapia renal substitutiva (TRS) no Brasil. Desse total, a hemodiálise representa a modalidade predominante, concentrando aproximadamente 90% a 95% dos pacientes em tratamento dialítico no país.  

Esses números refletem a elevada carga assistencial associada aos estágios avançados da Doença Renal Crônica. A pesquisa demonstra ainda que, em torno de 12 milhões de pessoas no Brasil apresentam algum indicativo de DRC, mas ainda sem diagnóstico. O surgimento de novos casos pode chegar a 50 mil por ano. 

Apesar desses indicadores preocupantes, a nefrologia brasileira tem avançado de forma consistente no campo do diagnóstico precoce da DRC, em alinhamento com as tendências internacionais e com as diretrizes vigentes da KDIGO 2024. Iniciativas voltadas à ampliação do rastreamento em grupos de risco, ao aprimoramento dos métodos de diagnósticos e à integração entre atenção primária e especializada vêm ganhando espaço em diferentes regiões do país. 

No entanto, a implementação dessas inovações ainda enfrenta desafios relevantes, especialmente relacionados à heterogeneidade do acesso aos serviços de saúde. 

Diante desse contexto, compreender quais são os avanços mais recentes no diagnóstico precoce da Doença Renal Crônica — e como eles podem ser aplicados de maneira prática à realidade brasileira — é fundamental para ampliar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes. 

 

Economia e DRC: como o diagnóstico precoce impacta custos, desfechos e planejamento dialítico  

Os avanços no diagnóstico precoce da Doença Renal Crônica geram impactos que vão além do benefício clínico direto ao paciente, além disso, configuram uma estratégia economicamente racional. Nesse sentido, a identificação da DRC em estágios iniciais permite intervenções oportunas, contribuindo para a redução de complicações, hospitalizações evitáveis e eventos agudos de alta complexidade.

Do ponto de vista econômico, o diagnóstico precoce está associado à diminuição de custos assistenciais ao longo do tempo. Assim, a atuação nas fases iniciais diminui internações de urgência, o uso intensivo de recursos hospitalares e a progressão acelerada para estágios avançados.

Outro aspecto central é a possibilidade de um planejamento dialítico estruturado, seguro e baseado na progressão individual da doença.

Quando identificado precocemente, o avanço da DRC permite preparar o paciente e o sistema de saúde para a eventual necessidade de terapia renal substitutiva. Dessa forma, a definição da modalidade, o preparo do acesso e a organização do cuidado ocorrem de maneira planejada, e não reativa.

Exatamente nesse estágio, quando o paciente precisa ser atendido com uma das TRSs, ocorre o maior impacto econômico da DRC. Modalidades como hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal demandam recursos significativos, incluindo: 

  • Infraestrutura complexa; 
  • Equipes especializadas; 
  • Tratamento contínuo (diálise). 

Nesse contexto, o diagnóstico precoce da DRC assume papel estratégico não apenas para a melhoria dos desfechos clínicos, mas também para o planejamento assistencial, a sustentabilidade econômica dos serviços de saúde e a organização eficiente das linhas de cuidado em nefrologia. 

Allmed: tecnologia de ponta e os avanços no tratamento do paciente renal 

A atualização das diretrizes KDIGO 2024 é um convite à proatividade. O diagnóstico precoce não apenas melhora o desfecho clínico, mas é uma estratégia economicamente racional, permitindo um planejamento dialítico estruturado e reduzindo hospitalizações.  

A Allmed acompanha essa evolução, desenvolvendo dialisadores de alta tecnologia que garantem segurança e eficiência quando o paciente atinge a necessidade de terapia renal substitutiva. Alinhando a prática industrial às diretrizes internacionais de qualidade. 

Nesse contexto, com foco em segurança, padronização e eficiência terapêutica, a empresa investe em tecnologia de ponta, engenharia aplicada e equipes especializadas. Dessa forma, desenvolve dispositivos médicos destinados à terapia renal substitutiva, alinhados às exigências clínicas e regulatórias.

Assim, o compromisso da empresa se traduz em soluções confiáveis diante da crescente complexidade clínica e assistencial.

Saiba mais sobre os dialisadores, no artigo Dialisador com padrão europeu: 5 motivos para ter um na sua clínica. 

 

Para conhecer mais as características técnicas e os diferenciais do dialisador Allmed,  entre em contato com a equipe de consultores da empresa. Acesse o site aqui. 

 

Lembre-se: o diagnóstico precoce transforma o cuidado: ele dá tempo ao médico e qualidade de vida ao paciente. 

 

 

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