Cálculo renal ou nefrolitíase: sintomas, causas e o risco de causar a DRC
Cálculo renal ou nefrolitíase é a formação de pedras nos rins — uma condição urológica muito comum, mas que pode causar complicações urinárias e até levar ao surgimento de outras patologias, como a doença renal crônica (DRC).
Isso acontece porque a nefrolitíase apresenta elevadas taxas de recorrência, tornando a prevenção a forma mais segura de evitar o retorno das pedras nos rins. Para prevenir, é fundamental você entender a nefrolitíase, como ela surge, quais os sintomas e tratamentos para evitar o seu retorno.
Neste artigo, vamos aprofundar essa discussão sobre o cálculo renal e como impedir que ele evolua para a DRC.
Cálculo renal ou nefrolitíase: entenda como esse problema de saúde pode evoluir para a DRC
O cálculo renal ou nefrolitíase é um estado clínico que pode resultar em sérias consequências, se for negligenciado.
A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) estima que a condição afete até 15% da população brasileira, com taxas de recorrência — sem tratamento — de até 50% em 10 anos.
A nefrolitíase é a terceira causa mais comum entre as doenças do trato urinário, sendo, porém, a de maior morbidade. Homens entre os 20 e os 50 anos são os mais afetados por essa condição, com frequência até três vezes maior do que em mulheres.
Por isso, os órgãos de saúde reforçam a importância da prevenção, para que o problema não evolua para quadros mais graves.
Como surge a nefrolitíase?
A principal característica da nefrolitíase é o surgimento de estruturas sólidas cristalinas no interior do sistema urinário, que podem causar dores intensas e súbitas na região lombar — inclusive, há relatos de que essa está entre as dores mais intensas que um ser humano pode sentir.
O cálculo renal é formado por substâncias como cálcio, oxalato, fosfato ou ácido úrico, que quando encontram-se em elevada concentração, não conseguem ser dissolvidos pela urina.
Entre os fatores de risco para o surgimento da doença, estão:
- Pouca ingestão de água, sendo um dos fatores determinantes para a formação do cálculo renal;
- Alto consumo de sódio e de proteína animal;
- Histórico familiar de pedras nos rins;
- Ocorrência anterior de cálculo renal (recorrência);
- Sexo e idade (homens entre 20 e 50 anos);
- Clima quente.
Além disso, as pedras nos rins podem estar associadas a outros problemas de saúde, de origem metabólica, como a doença cardiovascular, o diabete mellitus e a obesidade.
Essa conexão reforça o entendimento de que a nefrolitíase é uma condição sistêmica, e não apenas um problema restrito ao sistema urinário.
Principais sintomas do cálculo renal: fique atento aos sinais de alerta
Em alguns casos, como em pedras pequenas, o cálculo renal pode se manter assintomático. Os sintomas só irão surgir quando ele obstruir a passagem da urina, parcial ou totalmente.
Então, além da cólica renal, que pode aparecer nos flancos, se estender até a lateral do abdômen e irradiar para a virilha, os sintomas que acendem o sinal de alerta, são:
- Sangue na urina (hematúria): causada pelo atrito das pedras nos canais urinários;
- Dor ou ardência ao urinar (disúria): esse sintoma acontece quando o cálculo passa pelo ureter, ou no momento em que é expelido pela uretra;
- Aumento da frequência urinária: a pessoa apresenta vontade de urinar mais vezes ao dia;
- Redução do fluxo urinário: ou até a incapacidade para urinar pode ser causada por um bloqueio total ou parcial por uma pedra, quando ela atinge o ureter, a bexiga ou a uretra;
- Infecção urinária: essa diminuição na urina ou o impedimento na micção podem levar à infecção (pielonefrite);
- Náuseas, vômitos, febre e calafrios.
Como é feito o diagnóstico do cálculo renal?
Para chegar a um diagnóstico, o médico irá avaliar os sintomas que o paciente apresenta e o histórico clínico.Também poderão ser solicitados os exames laboratoriais e de imagem necessários.
Exame de urina
Pode identificar a presença de sangue ou cristais na urina, indicando o tipo de cálculo, além de sinais de infecção urinária ou alterações no pH. Em casos de recorrência, também pode ser solicitado o exame de urina de 24 horas.
Exames de sangue
Alguns exames de sangue que podem ser solicitados são os de creatinina, ureia, cálcio, fósforo, ácido úrico e eletrólitos. Através do resultado desses exames, o médico poderá avaliar o funcionamento dos rins e identificar alterações metabólicas que estejam relacionadas ao cálculo renal.
Exames de imagem
Ultrassonografia e tomografia computadorizada são exames de imagem fundamentais para confirmar o diagnóstico de pedra nos rins e definir o tratamento. Através desses exames, é possível determinar o tamanho e a quantidade dos cálculos, a localização exata e o grau de obstrução das vias urinárias.
Tratamento do cálculo renal: o que é mais indicado?
O médico deverá considerar alguns fatores para determinar o tratamento mais adequado, como a dimensão da pedra, a localização, o grau de obstrução urinária e o comprometimento da função renal.
Entre os tipos de tratamentos mais indicados estão:
- Tratamento clínico: quando não houver complicações
O tratamento clínico poderá ser aplicado em casos onde os cálculos são pequenos (geralmente menores que 5 mm). Ele inclui hidratação, controle da dor e medicação para auxiliar na eliminação das pedras.
- Procedimentos invasivos: quando serão indicados?
No caso de cálculos maiores que 10 mm ou que causam obstrução urinária, pode ser necessário um procedimento mais invasivo. Entre as principais técnicas estão:
- Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO)
Apesar de não ser um procedimento invasivo, a litotripsia utiliza ondas de choque para fragmentar os cálculos em pequenos pedaços, para poderem ser eliminados pela urina.
- Ureteroscopia
Esse é um procedimento minimamente invasivo, no qual o médico insere um endoscópio fino pelo ureter para remover os cálculos de forma direta ou fragmentada por laser.
- Nefrolitotomia percutânea
Mediante uma pequena incisão nas costas, o urologista terá acesso direto ao rim para retirar a pedra. Esse procedimento é indicado para cálculos maiores ou que apresentem formatos complexos.
Essas são as técnicas mais modernas de remoção do cálculo renal, com menor risco de complicações. Atualmente, a cirurgia aberta ou laparoscópica é utilizada apenas em casos raros.
Consequências do cálculo renal: a DRC é uma das complicações mais graves
Em até 80% dos casos, pedras pequenas — de até 5 mm — podem ser eliminadas naturalmente pela urina. No entanto, isso nem sempre acontece.
Quando o cálculo renal não é tratado de forma adequada, podem surgir complicações sérias. Uma delas é a infecção urinária, que em pacientes idosos pode evoluir para choque séptico e, em casos extremos, óbito.
A hidronefrose (inchaço dos rins) é outra complicação que merece atenção. Ela ocorre quando uma ou mais pedras causam obstrução, impedindo a passagem da urina — o que leva ao acúmulo de líquido e ao inchaço renal.
Além disso, a recidiva constante da hidronefrose pode levar à perda da função renal e evoluir para o desenvolvimento da doença renal crônica (DRC), a mais grave consequência do cálculo renal.
Pesquisas confirmam essa possibilidade, afirmando que “episódios recorrentes, graves ou prolongados de nefrolitíase, complicados por infecção ou obstrução, possam realmente levar a danos renais mais permanentes e a DRC”.
A DRC é um problema de saúde global que compromete o funcionamento dos rins, levando o paciente a precisar ser submetido a uma das terapias renais substitutivas (TRSs). A hemodiálise é a TRS utilizada por quase 90% dos mais de 172 mil pacientes renais que se encontram em diálise no Brasil.
Saiba mais no artigo Doença renal em crescimento: Censo 2024 revela avanço da diálise e alerta para a saúde da população brasileira, com dados do Censo Brasileiro de Diálise 2024.
Prevenção: a melhor forma de evitar o cálculo renal
Essa orientação serve tanto para quem já sofreu com o cálculo renal – e precisa evitar a recorrência – como para quem nunca teve a doença.
A boa notícia é que a prevenção pode ser feita com hábitos simples e saudáveis, como:

Perguntas frequentes sobre cálculo renal
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Cálculo renal tem cura?
Sim. Na maioria dos casos, o cálculo renal é eliminado naturalmente ou removido por tratamento clínico ou procedimento, sem deixar sequelas. O desafio maior é a prevenção da recorrência, já que as taxas de retorno da doença são altas sem cuidados adequados.
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Quanto tempo uma pedra no rim demora para ser eliminada pela urina?
Pedras pequenas (até 5 mm) costumam ser eliminadas em poucos dias a poucas semanas, com boa hidratação e acompanhamento médico. Pedras maiores ou que causam obstrução geralmente exigem intervenção para serem removidas.
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Toda pedra no rim precisa de cirurgia?
Não. A maioria dos casos é resolvida com tratamento clínico (hidratação, medicação e controle da dor). Procedimentos como litotripsia, ureteroscopia ou nefrolitotomia percutânea só são indicados para cálculos maiores que 10 mm ou que causam obstrução urinária significativa.
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Como diferenciar dor de pedra no rim de dor muscular nas costas?
A cólica renal costuma ser súbita, muito intensa, localizada nos flancos e pode irradiar para a virilha, muitas vezes acompanhada de náusea, sangue na urina ou dor ao urinar. A dor muscular geralmente piora com movimento e não vem acompanhada de sintomas urinários.
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Cálculo renal pode causar insuficiência renal (DRC)?
Sim, principalmente em casos de recorrência frequente, obstrução prolongada ou infecções urinárias associadas. Por isso, a prevenção é essencial: episódios repetidos de hidronefrose podem levar à perda progressiva da função renal.
Allmed Pronefro: valorizando a prevenção na saúde renal
A Allmed Pronefro trouxe neste artigo um panorama completo sobre o cálculo renal, ou nefrolitíase. Afinal, trata-se de um problema de saúde extremamente comum que, quando negligenciado, pode evoluir para quadros mais graves — como a doença renal crônica (DRC).
Falar sobre prevenção é uma forma de cuidado que vai além do tratamento: é sobre evitar que a doença se instale ou volte a acontecer. Por isso, informação de qualidade sobre saúde renal é uma prioridade constante no blog da Allmed, que reúne outros conteúdos relevantes sobre o tema.
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