Hidratação do paciente renal: como se cuidar no verão com segurança e bem-estar

Hidratação do paciente renal no verão

Hidratação do paciente renal é uma das principais preocupações durante o verão. Mesmo com o aumento da temperatura e da sensação de sede, o paciente renal não deve aumentar a ingestão de líquidos sem orientação médica.

Para uma pessoa que tem as funções renais saudáveis, os especialistas recomendam a ingestão de, no mínimo, 2 litros de água por dia para manter a hidratação. Porém, no caso dos pacientes renais, a situação é bem diferente, já que o rim não possui a mesma eficiência.

Considerando que os tratamentos de diálise e hemodiálise visam, entre outros objetivos, equilibrar a quantidade de líquidos no organismo. Os pacientes com doença renal devem ter atenção redobrada ao consumo de água, mesmo nos dias mais quentes do ano, pois o excesso pode causar sobrecarga hídrica, inchaço, falta de ar e complicações cardiovasculares.

Nas próximas linhas, saiba como é possível matar a sede e se hidratar no verão sem necessariamente ter que beber água. Continue lendo!

Por que o calor é um risco para o paciente renal?

A hidratação do paciente renal no calor exige atenção, porque as altas temperaturas aumentam a transpiração e a perda de líquidos e sais minerais. Em pessoas com função renal preservada, o organismo consegue compensar esse processo. Já no paciente renal em diálise, os rins não regulam adequadamente o volume de líquidos, o que pode resultar em:

  • Excesso de líquidos no organismo, causando edema, hipertensão e sobrecarga cardíaca

  • Desidratação, levando a tonturas, câimbras, queda de pressão e desequilíbrio eletrolítico

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, mesmo nos dias mais quentes, o consumo de líquidos deve seguir rigorosamente a prescrição individual do nefrologista.

O primeiro passo a fazer para manter a hidratação correta é saber qual a quantidade máxima de líquidos pode ser ingerida. E assim agendar uma consulta com o médico nefrologista ou com um profissional de nutrição para solicitar exames de urina que permitam a avaliação das funções renais e da capacidade de filtragem dos líquidos. Geralmente, as restrições na ingestão de água funcionam a partir da seguinte lógica: se o paciente faz menos xixi, maior deve ser o controle na ingestão de água.

Importante: os líquidos acumulados no organismo não se limitam ao ato de beber água. A composição dos alimentos também deve ser considerada, afinal, frutas, verduras e legumes também contêm água. Além disso, refeições como sopas e bebidas como leite e refrigerantes fazem parte das restrições que devem ser consideradas na dieta de pacientes renais.

 

Como deve ser a hidratação do paciente renal no verão?

Hidratação do paciente renal no verão não significa beber mais água, mas sim manter o equilíbrio correto entre o que o corpo perde e o que pode ser ingerido com segurança, sempre respeitando o volume diário recomendado.

Independente do caso, manter o acompanhamento com um nutricionista e realizar exames que detectam a capacidade do paciente de urinar e filtrar os líquidos é essencial para montar um plano nutricional adequado às necessidades do paciente.

As orientações variam, mas conforme explica a nutricionista especializada em nefrologia, Maria Alice Riba Martins Maciel, CRN 128 Pr,  que atua há mais de 20 anos no Instituto do Rim do Paraná, o principal objetivo do tratamento nutricional é manter a saúde renal. Proporcionando um “estado nutricional adequado que ajuda no controle dos exames, bem como auxilia no controle da pressão e glicemia, reduzindo os edemas, e evitando problemas como desnutrição, além de minimizar os efeitos maléficos do descontrole metabólico”.

A quantidade de água que o paciente renal pode consumir depende muito da sua condição. Geralmente, a indicação é feita pelo médico de acordo com a quantidade de urina que a pessoa consegue eliminar.

No caso de pacientes cardíacos e cirróticos, por exemplo: a retenção de líquido é muito maior e, portanto, a restrição é mais severa.

Pare e pense: todos os líquidos que um paciente não consegue eliminar (além da água em si, é importante considerar sucos, sorvetes, chás, gelatinas e o líquido das frutas), se transformam em inchaços nas pernas, na barriga e no pulmão.

Por outro lado, existem pacientes que não possuem tantos problemas com a retenção de líquidos. Nestes casos, a quantidade de água a ser ingerida pode ser maior.

Em resumo:

Tudo depende do contexto do paciente, mas de forma geral, pacientes renais precisam estar mais atentos às especificidades da  hidratação  no verão.

 

É possível manter a hidratação sem beber água em excesso? Como fazer isso em pleno verão?

Essas dúvidas são muito comuns entre os pacientes renais e, apesar de parecer impossível manter o corpo hidratado com tantas restrições, existem algumas dicas que podem ajudar o paciente que faz diálise ou hemodiálise a controlar o consumo de líquidos e saciar a sede.

A seguir, destacamos algumas dicas dadas pela nutricionista Maria Alice Ribas Martins Maciel para lidar com essa situação. Confira!

  • Use uma garrafa com marcação de mililitros

Manter precisão exata na quantidade máxima de líquidos que devem ser consumidos diariamente conforme orientação médica é indispensável para os pacientes renais. Por isso, optar por uma garrafa com marcação de mililitros é o ideal para controlar o volume de água e outros líquidos.

  • Prefira copos de água menores e anote a quantidade de água consumida

Controlar a ingestão de água de forma exata é um desafio, mas felizmente existem recursos que podem te ajudar nessa missão. Além de garrafas com marcação, opte por copos menores e anote todas as quantidades de líquidos que você ingerir em uma agenda. Dessa forma, fica mais fácil não extrapolar.

  • Evite comer alimentos com muito sal 

Alimentos salgados aumentam muito a sensação de sede. Isso acontece devido ao contato do sódio com a corrente sanguínea que gera a desidratação do corpo rapidamente. Além disso, o sal excessivo é um veneno para a saúde renal.

Por isso, fica a dica: reduza a quantidade de sal e evite alimentos que contém sódio, como:

  • Embutidos;
  • Queijos;
  • Defumados;
  • Conservas na salmoura;
  • Temperos prontos;
  • Alimentos ultraprocessados e/ou industrializados.

 

  • Se possível, não consuma doces e bebidas açucaradas

No verão, o consumo de sorvetes, refrigerantes e sucos é um convite tentador. Porém, quanto maior a quantidade de açúcar consumida, maior será o acúmulo de líquidos no organismo e pior será a sensação de sede. Fica a dica!

  • Experimente chupar gelo

Apesar de difícil, é possível aliviar a sensação de sede e manter-se hidratado sem ter que beber água. Chupar gelo é uma forma de matar a  vontade sem ingerir uma quantidade excessiva de líquido.

  • Faça bochechos e/ou escove os dentes com maior frequência

Enxaguar a boca com água gelada sem engolir é outra ação que alivia a sensação de boca seca. Por isso, sempre que você tiver a sensação que está com muita sede, faça bochechos ou escove os dentes com maior frequência.

  • Chupe balas

Chupar uma bala de hortelã é algo muito simples, mas que também ajuda a diminuir a sede, já que as balas costumam ser refrescantes. Você também pode mascar chicletes quando sentir essa necessidade. Tanto a bala quanto o chicletes ajudam a aumentar a produção de saliva e, consequentemente, a vontade de beber água é aliviada.

  • Consuma frutas congeladas

Além de serem saborosas, as frutas congeladas são uma excelente opção para se hidratar sem necessariamente beber água. O limão, por exemplo, é uma  fruta que ajuda a matar a sede, por acelerar a produção de saliva. Gostou da ideia? Experimente cortá-las e congelá-las dentro de sacos plásticos!

  • Fuja do café

O uso de bebidas quentes e que contém cafeína como o café  não é indicado para pacientes renais. Além de elevar a sensação de “boca seca”, esse hábito faz com que a pessoa tenha mais sede. Por isso, evite tomar muito café, principalmente no verão.

Os tratamentos de diálise e hemodiálise permitem que os pacientes renais tenham uma qualidade de vida satisfatória. No entanto, além de seguir os cuidados de como se hidratar de forma adequada, é importante também que priorizem um estilo de vida saudável, com bons hábitos alimentares.

Leia também → Exercício físico e o paciente renal: a prática é um aliado contra a evolução da doença

 

Exposição ao sol: cuidados com a pele e o acesso vascular

Sol, pele e acesso vascular: atenção aos detalhes

O tratamento dialítico deixa a pele mais seca e sensível, o que pode se intensificar no verão. Além disso, o acesso vascular — como a fístula — requer cuidados específicos.

Boas práticas incluem:

  • Usar protetor solar com alto FPS, inclusive próximo à fístula

  • Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h

  • Hidratar a pele diariamente

  • Proteger o braço da fístula contra impactos e traumas

Pacientes em hemodiálise devem evitar mar e piscina. Já pacientes em diálise peritoneal precisam reforçar a higiene do local do cateter para prevenir infecções.

Sinais de alerta no calor: quando procurar ajuda médica?

Procure atendimento imediato se surgirem:

  • Inchaço repentino em pernas, pés, rosto ou abdômen

  • Falta de ar ou sensação de aperto no peito

  • Tontura intensa, confusão mental ou desmaios

  • Alterações bruscas da pressão arterial

Em qualquer atendimento, informe que você é paciente renal em diálise.

 

Allmed: informação é parte do tratamento renal

A hidratação do paciente renal no calor exige equilíbrio, disciplina e orientação profissional. Com cuidados simples e informação de qualidade, é possível atravessar o verão com mais segurança, conforto e qualidade de vida.

A Allmed acredita que educar também é cuidar. Por isso, além de oferecer soluções para diálise com alto padrão de qualidade, investe continuamente em conteúdos confiáveis para apoiar pacientes, familiares e profissionais de saúde durante todo o ano.

Referência em mais de 40 países, a Allmed Group tem como missão proporcionar os melhores cuidados na saúde renal de pessoas em tratamento de hemodiálise e diálise. Onde atua de forma humanizada para entregar conforto, qualidade de vida e tranquilidade para quem mais precisa de apoio ao lidar com as doenças renais crônicas.

 

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