Infecção urinária de repetição: um alerta para a saúde dos rins
A infecção urinária de repetição é muito mais do que um problema ou incômodo do dia a dia. Quando os episódios começam a ocorrer várias vezes no ano, o corpo emite um sinal claro de que algo está afetando o equilíbrio do trato urinário. E esse alerta merece atenção redobrada, principalmente porque a condição pode causar danos progressivos aos rins.
Embora homens, mulheres e crianças possam apresentar infecção urinária, as mulheres são as mais afetadas. Estudos evidenciam que a maioria delas terá ao menos um episódio de ITU ao longo da vida — e uma parcela significativa enfrentará a forma recorrente, que representa maior risco de complicações.
A repetição desses quadros favorece a migração de bactérias pelo trato urinário até alcançar os rins, causando inflamação, lesões e, com o tempo, dano renal permanente. Quando isso acontece, aumenta a chance de desenvolver pielonefrite e até mesmo doença renal crônica (DRC).
Neste artigo, você vai entender:
- O que é a infecção urinária de repetição?
- Por que ela acontece mais em mulheres?
- Quais riscos oferece aos rins.
- Quando pode evoluir para DRC?
- Como é o tratamento e a prevenção.
- Qual é a relação com as terapias renais substitutivas, como a hemodiálise.
Acompanhe até o final — informação correta é o primeiro passo para proteger sua saúde renal.
Infecção urinária de repetição: o que é e quais as consequências para os rins?
A infecção urinária de repetição ocorre quando o paciente apresenta dois ou mais episódios em seis meses ou três ou mais episódios ao longo de um ano. Esse quadro aumenta o risco de as bactérias atingirem os rins e causarem pielonefrite crônica, levando a lesões permanentes, perda da função renal e possível evolução para a Doença Renal Crônica (DRC). O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para proteger a saúde dos rins.
Essas infecções podem acometer a uretra (uretrite), a bexiga (cistite) ou os rins (pielonefrite). Entre elas, a pielonefrite é a forma mais grave.
A condição é comum em todas as faixas etárias, mas estudos mostram que a incidência é muito maior em mulheres. Segundo a FIOCRUZ, cerca de 60% das mulheres terão ao menos um episódio de ITU na vida, e aproximadamente 30% a 40% apresentarão infecções recorrentes, caracterizadas por:
- Dois ou mais episódios em seis meses, ou
- Três ou mais episódios ao longo de um ano.
O estudo também aponta que mulheres adultas têm 50 vezes mais chance de desenvolver ITU do que os homens — o que as coloca em maior risco de danos renais quando as infecções se tornam repetitivas.
Como surge a infecção urinária e por que as mulheres são mais afetadas?
A infecção urinária é geralmente causada por bactérias que chegam ao sistema urinário. A principal delas é a Escherichia coli (E. coli), bactéria intestinal responsável por mais de 75% das cistites agudas.
Nas mulheres, a anatomia favorece a contaminação:
- a uretra é mais curta;
- há proximidade com o reto;
- o caminho para a bexiga é mais fácil para as bactérias.
Por isso, a ITU é uma das causas mais frequentes de busca por atendimento médico.
Sintomas comuns da ITU de repetição
- vontade de urinar muitas vezes ao dia;
- ardência ao urinar;
- urina escura ou com cheiro forte;
- presença de sangue;
- dor pélvica;
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
O médico nefrologista e presidente da Fundação Pró-Rim, Dr. Marcos Alexandre Vieira, orienta:
“Tratar corretamente cada episódio é essencial. Com prevenção e tratamento adequado, é possível evitar complicações renais graves.”

Infecção urinária de repetição pode evoluir para doença renal crônica (DRC)?
Sim. E esse é um dos principais perigos dessa condição. Quando as ITUs recorrentes atingem os rins, podem causar pielonefrite crônica, uma infecção bacteriana que gera inflamação persistente e cicatrizes permanentes no tecido renal.
Com o tempo:
- os rins perdem capacidade de filtrar toxinas;
- Líquidos se acumulam no corpo;
- a função renal diminui progressivamente;
- O quadro evolui para DRC.
Por isso, a infecção urinária de repetição não deve ser ignorada.
Pielonefrite e DRC: sintomas de alerta
A pielonefrite crônica pode permanecer silenciosa por meses ou anos. Quando dá sinais, muitos pacientes já apresentam comprometimento renal importante. Então, é importante se manter atento para alguns sintomas que podem indicar que a pielonefrite crônica está evoluindo para DRC.
Fique atento a sintomas como:
- fadiga persistente;
- náuseas ou vômitos;
- dor lombar recorrente;
- febre baixa intermitente;
- inchaço em pernas, tornozelos ou ao redor dos olhos;
- pressão alta;
- alteração no volume de urina;
- espuma na urina;
- anemia;
- coceira e cãibras;
- confusão mental, principalmente em idosos.
Caso esses sintomas sejam notados – principalmente em quem tem histórico de ITU por repetição – é necessário procurar atendimento médico urgente para que seja realizada avaliação da função renal.
Qual é o tratamento indicado para a infecção urinária de repetição?
Ignorar a ITU recorrente aumenta o risco de evolução para quadros graves. O tratamento deve ser orientado por um urologista ou nefrologista e envolve:
Quanto mais cedo a ITU for identificada e tratada de forma correta, maiores são as chances de preservar a função dos rins e evitar complicações irreversíveis. O tratamento deve ser feito por um médico urologista ou nefrologista.
Confira o que deve ser feito quando for detectada a ITU de repetição:
- Investigar as causas das infecções recorrentes;
- Tratar corretamente cada episódio, sob orientação de um profissional;
- Acompanhar a função renal periodicamente;
- Adotar hábitos que protejam os rins e o trato urinário;
- Manter boa hidratação – ingerir pelo menos 2 litros de água por dia;
- Ter uma alimentação equilibrada, com pouco sal e rica em frutas e vegetais.
Além disso, o tratamento – que sempre será individualizado – pode seguir outros protocolos, conforme a necessidade identificada pelo médico, como por exemplo:
- Não ficar muito tempo sem urinar;
- Urinar logo após as relações sexuais, para expelir bactérias que possam ter entrado na uretra;
- Fazer a higiene íntima de forma correta;
- Uso de antibióticos;
- Imunoterapia com o uso de vacinas orais, que podem estimular o sistema imunológico a combater melhor as infecções.
Quando a infecção urinária evolui para DRC: como é o tratamento?
Quando a DRC já foi diagnosticada, o tratamento – além de seguir com a eliminação total da infecção urinária recorrente e a prevenção de novos danos aos rins – também deverá focar no manejo das complicações da DRC.
O que acontece é que, conforme a TFG (Taxa de Filtração Glomerular) cai, o rim perde a capacidade de executar suas principais funções, e o tratamento deve se concentrar em corrigir as deficiências causadas por isso.
Podemos citar como exemplo a anemia que, no portador de DRC, é muito comum, pois os rins doentes não produzem a eritropoetina (hormônio que estimula a produção de glóbulos vermelhos). Dessa maneira, o tratamento deverá ser feito com a reposição de ferro e injeções de eritropoetina.
Mas, o que é a TFG? A TFG é o principal indicador da função renal. Ela mede o volume de sangue que os rins conseguem filtrar por minuto. Assim, A DRC é definida pela presença de:
- Taxa de Filtração Glomerular (TFG) inferior a 60 mL/min/1,73 m² por um período de três meses ou mais;
- TFG normal ou próxima do normal – acima de 60 mL/min/1,73 m² – mas com sinais de dano renal persistente por três meses ou mais.
Se você desejar se aprofundar um pouco mais sobre o assunto, podemos indicar o artigo Paciente renal e a DRC: a importância do diagnóstico precoce e terapias substitutivas.
DRC e diálise: quando a terapia é indicada?
A diálise é indicada quando os rins já não conseguem manter o equilíbrio químico do organismo. Ela surge como terapia essencial para manter o paciente vivo.
Geralmente, inicia-se no estágio 5 da DRC, quando a TFG fica abaixo de 15 mL/min/1,73 m², mas a decisão também considera sintomas e exames clínicos.
A hemodiálise é a terapia utilizada por mais de 90% dos pacientes renais no Brasil. Em muitos casos, o transplante renal também pode ser indicado.
Conforme a DRC evolui e a função renal diminui, o organismo começa a acumular toxinas, líquidos e eletrólitos em níveis perigosos.
Quando os rins já não conseguem mais desempenhar essa função, a diálise passa a ser necessária e essencial para manter o paciente vivo e estável.
A diálise é geralmente indicada quando o paciente atinge estágio 5 da DRC, também chamado de insuficiência renal terminal, quando a TFG cai para abaixo de 15 mL/min/1,73 m², indicando que os rins praticamente já não conseguem cumprir sua função vital.
Mas a decisão de iniciar a diálise não depende apenas da TFG. Ela leva em conta o conjunto de sinais clínicos e laboratoriais que indicam que o corpo já está sofrendo devido à perda da função renal.
A hemodiálise é uma das principais terapias renais substitutivas (TRS), atendendo mais de 90% dos pacientes renais em diálise no Brasil. A opção seguinte é o transplante renal, mas que deve obedecer a alguns critérios.
Para entender como funciona o transplante renal, acesse o artigo Transplante Renal: opções de tratamento.

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