Diabetes, hipertensão e DRC: como prevenir e retardar a doença renal

Diabetes, hipertensão e DRC estão interligadas por meio de uma conexão silenciosa e perigosa que coloca em risco a saúde dos rins. 

Dados recentes mostram que ela afeta mais de 10% da população global e tem como principais causas o diabetes mellitus e a hipertensão arterial. No Brasil, essas condições estão diretamente associadas ao aumento de casos graves, inclusive com necessidade de diálise.  

Neste cenário, compreender como proteger os rins e retardar a progressão da DRC tornou-se essencial — tanto para profissionais de saúde quanto para pacientes. 

Neste artigo, abordaremos a relação entre elas. Confira a seguir!

 

A perigosa conexão entre diabetes, hipertensão e a doença renal crônica (DRC)

A diabetes, hipertensão e DRC são as pontas que conectam a pessoa à falência dos rins e reduzem, drasticamente, a qualidade de vida do paciente renal. 

A DRC é considerada um problema de saúde pública que afeta países do mundo inteiro. E no Brasil, os números também são elevados quando falamos dessa patologia.  

Veja só: atualmente, o Brasil contabiliza 172.585 pessoas em terapia renal substitutiva, refletindo um aumento de quase 10% em relação a 2023, conforme evidenciado pelo Censo de Diálise 2024 da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Este levantamento destaca ainda que a faixa etária acima dos 65 anos é a que mais cresce nos tratamentos de diálise, um fenómeno impulsionado pelo envelhecimento populacional e pela elevada incidência de doenças como a hipertensão e a diabetes.

Outros números importantes são os que mostram o diabetes e a hipertensão como “as principais causas primárias de doença renal crônica e apresentaram taxas semelhantes, 33 e 32%, respectivamente”. 

O diabetes e a hipertensão não agem de forma isolada. A hipertensão atua de forma sinérgica com o diabetes, acelerando o dano renal através de mecanismos como o aumento da pressão intraglomerular e a lesão vascular. A combinação destas duas patologias potencializa a perda progressiva da função renal de maneira acentuada.

Dessa forma, o diabetes e a hipertensão são doenças que, quando associadas, podem causar sérios danos à saúde das pessoas. Por isso, a melhor forma de combatê-las ou evitá-las é conhecer estes “inimigos silenciosos”. 

Se você quer saber mais sobre a doença renal crônica, acesse o artigo: Paciente renal e a DRC: a importância do diagnóstico precoce e terapias substitutivas. 

 

Como o diabetes mellitus afeta os rins e causa a DRC?

Entre as doenças que podem levar à falência renal e, consequentemente, ao surgimento da DRC, o diabetes mellitus (DM) é um dos mais importantes.

Para se ter uma ideia do impacto, a diabetes é hoje a principal causa de doença renal crónica no mundo, sendo responsável por cerca de 50% dos novos casos de insuficiência renal em países desenvolvidos.

O Ministério da Saúde define o diabetes como “uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina”.  O diabetes afeta como o corpo processa a glicose, ou seja, o açúcar no sangue. 

Então, das complicações que o diabetes pode causar, a DRC é uma das mais graves. Isso porque ela pode danificar os vasos sanguíneos dos rins. A chamada doença renal do diabetes (DRD) envolve processos complexos que vão além da glicemia, incluindo inflamação crónica, stress oxidativo, disfunção endotelial e fibrose renal progressiva. Sem intervenção adequada, este processo celular degenerativo pode evoluir diretamente para a doença renal terminal.

Acontece porque os altos níveis de açúcar no sangue acabam sobrecarregando os rins, que precisam filtrar uma quantidade maior de sangue. 

Essa sobrecarga que a diabetes provoca nos rins leva os órgãos a terem uma perda recorrente de proteínas na urina. 

Desse modo, se não houver um controle sobre o diabetes, os danos causados por essa doença poderão ser acelerados, levando ao surgimento da DRC. 

 

Os principais tipos de diabetes e os riscos para a saúde renal

Existem diferentes tipos de diabetes, cada um com causas e características distintas. Entre os principais tipos estão o diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 e o diabetes gestacional. Compreender as diferenças entre esses tipos é essencial para a prevenção, o diagnóstico precoce e o manejo adequado da doença.

 

Diabetes, hipertensão e a progressão da DRC novas abordagens terapêuticas

 

  • Diabetes tipo 1: Ocorre quando o sistema imunológico ataca as células beta do pâncreas, que produzem insulina, resultando em pouca ou nenhuma produção de insulina. É mais comum em crianças, adolescentes e jovens adultos, e os pacientes precisam de insulina diariamente. 
  • Diabetes tipo 2: É a forma mais comum de diabetes, na qual o corpo não usa a insulina adequadamente (resistência à insulina) ou não a produz o suficiente. Geralmente está associado a fatores como obesidade, sedentarismo e genética. Esse tipo é mais comum em adultos, mas também pode afetar jovens. 
  • Diabetes gestacional: Ocorre durante a gravidez e, em geral, desaparece após o parto. No entanto, aumenta o risco de a mãe desenvolver diabetes tipo 2 no futuro. Pode ser controlado com dieta, exercício e, em alguns casos, insulina. 

 

Esses são os principais tipos de diabetes, mas há também outras formas mais raras, como o diabetes monogênico e o diabetes relacionado a doenças pancreáticas. 

 

O panorama e os números do diabetes no Brasil

O Brasil deve ter aproximadamente 20 milhões de pessoas com diabetes, ou seja, 10,5% da população brasileira, estima a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).  No entanto, esse número pode ser ainda maior. 

Esse avanço não é recente, mas tem se intensificado ao longo dos anos. Entre 2006 e 2023, o número de diagnósticos de diabetes no Brasil cresceu aproximadamente 135%, acompanhando o aumento de outros fatores de risco importantes, como a obesidade e a hipertensão. Esse cenário reflete mudanças no estilo de vida da população, incluindo alimentação inadequada, sedentarismo e envelhecimento.

Entre os diferentes tipos da doença, o diabetes tipo 2 é disparado o mais comum, representando cerca de 90% dos casos, enquanto o tipo 1 corresponde a uma parcela menor, entre 5% e 10%. Esse dado reforça a forte relação do diabetes com hábitos de vida e fatores metabólicos.

Outro aspecto relevante é a diferença entre os sexos. As mulheres continuam sendo as mais afetadas, com prevalência superior à observada entre os homens. Ainda assim, o crescimento da doença ocorre de forma consistente em toda a população.

Um dos pontos mais preocupantes é o subdiagnóstico. Estima-se que cerca de 1 em cada 3 pessoas com diabetes não sabe que tem a doença, já que os sintomas podem demorar a aparecer ou passar despercebidos por longos períodos.

Além disso, o diabetes está diretamente associado a complicações graves. Entre os pacientes com diabetes tipo 2, uma parcela significativa — entre 30% e 50% — pode desenvolver doença renal crônica ao longo do tempo, o que aumenta ainda mais o impacto da condição no sistema de saúde.

Diante desse panorama, fica claro que o diabetes não apenas cresce em número de casos, mas também em complexidade. O enfrentamento da doença passa por diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e, principalmente, pela adoção de hábitos de vida mais saudáveis.

Hipertensão arterial: o impacto da pressão alta na função renal

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) ou pressão alta (PA), como é mais conhecida, acontece quando o sangue pressiona as paredes das artérias. 

Com as alterações estabelecidas pela nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 (DBHA 2025), os parâmetros de diagnóstico tornaram-se mais restritivos, focando na prevenção precoce. A famosa pressão “12 por 8” deixou de ser considerada normal, sendo agora classificada como pré-hipertensão. Os novos valores são:

  • Pressão arterial normal: menor que 120 e menor que 80 mmHg;

  • Pré-hipertensão: 120–139 e/ou 80–89 mmHg;

  • Hipertensão estágio 1: 140–159 e/ou 90–99 mmHg;

  • Hipertensão estágio 2: 160–179 e/ou 100–109 mmHg;

  • Hipertensão estágio 3: maior ou igual a 180 e/ou maior ou igual a 110 mmHg.

A pressão alta pode afetar os rins, provocando alterações na filtração do sangue que – se não for devidamente tratada – pode levar ao desenvolvimento da DRC e à necessidade de diálise. 

De acordo com as novas recomendações do documento (focadas nos doentes com doença renal crónica sob tratamento conservador), a meta preconizada para adultos é uma Pressão Arterial inferior a 130/80 mmHg, de forma a reduzir a ocorrência de eventos cardiovasculares e atenuar a falência renal.

 

O crescimento da hipertensão arterial no Brasil 

A hipertensão arterial é a doença crônica mais comum entre os brasileiros e, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde (Vigitel 2024), cerca de 27,9% dos brasileiros sofrem de pressão alta. Adicionalmente, a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) reporta que a patologia alcança “mais de 50% após os 60 anos e está presente em 5% das crianças e adolescentes no Brasil.”

Estima-se que a doença mate mais de 10 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, números do Ministério da Saúde mostram que, em 2021, “a taxa de mortalidade por hipertensão arterial no Brasil atingiu o maior valor dos últimos dez anos, com a ocorrência de 18,7 óbitos por 100 mil habitantes”.

Esse levantamento feito pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) mostra ainda, que o aumento maior na taxa de mortalidade por hipertensão arterial aconteceu entre as pessoas a partir dos 60 anos.

 

Como evitar a progressão do diabetes e hipertensão  para a doença renal crônica

Como já vimos antes, a diabetes, hipertensão e DRC possuem uma perigosa e silenciosa conexão. 

Então, como fazer para evitar a progressão dessas doenças crônicas para a DRC? 

A prevenção continua sendo a melhor estratégia para evitar que a diabetes e a hipertensão se instalem, porque não existe cura para essas patologias. A deteção precoce é um dos pilares fundamentais deste processo. Modelos clínicos recentes demonstram que o acompanhamento longitudinal com exames simples, como a creatinina sérica, a taxa de filtração glomerular (TFG) e a albuminúria, melhora substancialmente a prevenção de complicações futuras.

Para isso, é fundamental adotar hábitos saudáveis, como, por exemplo: 

  • Mantenha o controle rigoroso da pressão arterial

  • Pratique atividade física regularmente; 
  • Mantenha uma alimentação saudável, ingerindo frutas, verduras e legumes; 
  • Reduza o consumo de sal e açúcar; 
  • Evite alimentos industrializados; 
  • Mantenha o peso sob controle; 
  • Beba bastante água; 
  • Não fume
  • Consulte o médico regularmente. 

 

 

Novas abordagens terapêuticas e nefroproteção

Avanços importantes vêm sendo observados em estudos clínicos internacionais conduzidos por especialistas renomados na área de nefrologia e endocrinologia. Entre eles, citamos:

  1. Inibidores de SGLT2: revolução na proteção renal

Diversos ensaios clínicos multicêntricos demonstraram que os inibidores de SGLT2 (como dapagliflozina e empagliflozina) reduzem significativamente a progressão da DRC, independentemente do controle glicêmico. 

Estudos publicados em periódicos de nefrologia indicam que esses fármacos: 

  • reduzem a inflamação renal 
  • diminuem o estresse oxidativo 
  • retardam a queda da taxa de filtração glomerular (TFG) 

Esses resultados consolidaram essa classe como padrão terapêutico em diretrizes internacionais. 

 

  1. Estudo FLOW e os agonistas de GLP-1

O estudo clínico FLOW, destacado nas atualizações da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024), avaliou o impacto da semaglutida em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal. 

Os achados mostram: 

  • redução do risco de eventos renais 
  • melhora de desfechos cardiovasculares 
  • potencial efeito nefroprotetor adicional  

Esses dados reforçam a importância de abordagens integradas no tratamento. 

 

  1. Bloqueio do sistema renina-angiotensina

Clássicos estudos conduzidos por pesquisadores como Barry Brenner  (Harvard) estabeleceram o uso de inibidores da ECA e bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA) como base do tratamento. 

Evidências atuais continuam confirmando que esses medicamentos: 

  • reduzem proteinúria 
  • protegem a função renal 
  • retardam a progressão da DRC  

A DRC associada ao diabetes e à hipertensão é uma condição progressiva, mas potencialmente modificável quando abordada de forma precoce e baseada em evidências. 

Os avanços recentes — especialmente com inibidores de SGLT2 e agonistas de GLP-1 — representam uma mudança de paradigma na nefrologia moderna, permitindo não apenas tratar, mas efetivamente retardar a progressão da doença. 

Mais do que nunca, a integração entre prevenção, diagnóstico precoce e terapias inovadoras é o caminho para preservar a função renal e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. 

 

Allmed Pronefro: tecnologia em diálise ao lado do paciente e do nefrologista

A Allmed Pronefro atua no desenvolvimento de tecnologias para diálise, com foco no cuidado ao paciente renal e no suporte aos profissionais de saúde. Sua atuação envolve tanto o tratamento quanto a disseminação de informações sobre doença renal crônica (DRC) e prevenção.

No contexto do tratamento, a empresa oferece soluções voltadas à hemodiálise, desenvolvidas com base em pesquisa e inovação. Entre elas, está o dialisador capilar, utilizado rotineiramente nas sessões e projetado para garantir eficiência e segurança no processo.

Além dos produtos, há uma preocupação em atender às demandas da prática clínica, apoiando equipes multidisciplinares — como nefrologistas, enfermeiros e nutricionistas — com tecnologias adequadas à rotina assistencial.

Com padrões de qualidade reconhecidos no setor, a Allmed Pronefro mantém sua atuação voltada à melhoria contínua das soluções em diálise, acompanhando as necessidades do paciente e a evolução da nefrologia.

Para quem busca se informar mais sobre saúde renal, a empresa também disponibiliza conteúdos educativos voltados à prevenção e ao cuidado contínuo.

Então, gostou do conteúdo e deseja receber mais informações sobre saúde renal?

Acesse o blog da Allmed e confira tudo o que há de mais importante sobre a saúde do paciente renal. 

Agora, que tal conhecer melhor a empresa e saber como ela pode auxiliar no tratamento do seu paciente renal? Para isso, basta entrar em contato com um dos consultores Allmed.  

 

Perguntas frequentes

Diabetes sempre causa doença renal crônica?

Não. Quando bem controlado, o diabetes pode não causar danos significativos aos rins.

Hipertensão pode causar insuficiência renal?

Sim. A pressão alta é uma das principais causas de doença renal crônica.

Quais são os primeiros sinais de DRC?

Geralmente não há sintomas no início. Por isso, exames são essenciais.

Quem tem diabetes precisa fazer exame renal?

Sim. O monitoramento regular é fundamental para prevenir complicações.

 

  

 

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